Rosiane diz que vai entrar na política, apesar de não entender do assunto, e dispara: produto de dançarina é o corpo “e ela vende o produto”


Ex-dançarina da Gang do Samba, Rosiane Pinheiro é o que se pode chamar de uma mulher mil e uma utilidades: já foi atriz, modelo, apresentadora, musa da Copa e, agora, se lança como cantora. Se tem vocação para tal, poucos sabem ainda, afinal, seu vozeirão ainda começa a ganhar as ondas do rádio. Mas a moça não pretende parar por aí. Rosiane já se filiou a um partido político, o PT, e pensa em seguir carreira política. Para isso, conta com um importante apoio: o da vereadora – e também dançarina, como ela – Léo Kret (PR). Questionada sobre um entendimento na área política, é aos risos que ela responde: “não entendo nada, criatura!”. A popozuda também falou sobre a moda das mulheres-frutas e disse qual deles seria se resolvesse se “candidatar” nesse segmento. Rosiane ainda polemizou ao dizer que é natural as dançarinas posarem nuas ao justificar que os corpos delas são o produto que elas vendem. “Você não vê cantora posando nua. É difícil. Mas dançarina é normal, porque o produto é o corpo. Então, a gente vende o produto”, disparou.
Coluna Holofote – Rosiane, você é o que se pode chamar de uma mulher mil e uma utilidades. Já foi dançarina, apresentadora, atriz e agora é cantora. O que não deu certo nessas profissões que você tentou seguir?
Rosiane Pinheiro – 
O negócio é o seguinte: desde pequena que eu pensava em ser enfermeira da marinha, mas aconteceu que eu, com as amizades na escola, as meninas começaram a buzinar em meu ouvido “Rosi, está tendo aula de canto no Centro Social Urbano, bora fazer?”. Porque eu sou da Liberdade e todo bairro da periferia tem algum centro com cursos gratuitos. Então, eu fui. E comecei a fazer aula de canto. Tem uma banda lá na Meirelles, em Pero Vaz, que estava precisando de uma cantora, aí eu fui fazer o teste com 14 anos e fiquei. Só que nessa idade a gente quer tudo ao mesmo tempo e pra já. Então, depois de três meses ensaiando e a banda sem show... Mais uma vez, as amizades: “Rosi, você é tão bonita, por que não vai desfilar?”. Aí, pronto.

CH  Mas você virou modelo com essa estrutura que você tem? Porque modelo geralmente é magrinha...
RP  
Essa estrutura é de família. Mas as meninas, em concurso de beleza, têm corpão. Então, eu achei o máximo e comecei a entrar nos concursos e esqueci a música. Aí, comecei a desfilar, participar de concursos, fazer propagandas, vitrines vivas e aí eu comecei a ganhar dinheiro com isso.

CH – E como foi que você virou dançarina?
RP – 
É isso. De repente, apareceu o concurso para a morena do É o Tchan. Aí eu fiquei olhando, mas não me interessei. Mas aí, minhas amigas começaram a insistir para eu entrar nesse concurso. “Poxa, você é morena, bonita, tem um corpão. Por que você não entra nesse concurso?”, elas diziam. E eu falava: “gente, mas eu nunca dancei”. Nunca nem pensei mesmo, nem tomava aula, nada. Sem contar que eu morria de vergonha. Mas aí, na rua, no ponto de ônibus, em todo lugar, as pessoas me paravam e falavam “pô, menina, você é bonita. Por que você não entra nesse concurso? Você tem um pandeirão e tal...Ia combinar com Carla (Perez)”. Isso é o que o povo falava na rua. Aí eu falava que ia pensar. Nesse vou pensar, encerraram as inscrições. Aí, de repente, do nada, reabriram as inscrições até sábado, meio dia. Aí alguém, que eu não me lembro quem, perguntou por que eu não ia fazer. Eu disse que estava pensando e eu lembro que ela falou assim “se você não tentar, você não vai saber se vai conseguir ou não”. Aí eu resolvi tentar e fui. E aí fui passando em cada seleção, até chegar lá no Faustão e fui finalista junto com Scheila Carvalho, que ganhou e eu fiquei em segundo lugar.
CH – E o convite para a Gang do Samba, como veio?
RP – 
Um dia, Cal Adam me ligou e disse que ia sair uma dançarina do Cafuné. Aí eu fui e fiz três shows com o Cafuné. De repente Cal vira e me diz “Rosi, Vaguinho fez uma música ‘Musa da Gang’ e a Gang do Samba precisa de uma musa e essa musa eu acho que tem que ser você”. Eu adorava a Gang do Samba, que é de lá do bairro, lá da Liberdade. Então, eu fiquei assim, sabe? Emocionada, porque eu era fã. Aí eu fui e fiquei 14 anos com a Gang do Samba. Saí agora, em março.

CH – E essa saída da Gang do Samba? Por que sair? Teve algum problema?
RP – 
Não, não. A saída da Gang foi uma coisa super tranquila porque eu pensei assim: “pô, eu já danço há 14 anos, já sou uma mulher, daqui a pouco eu vou querer ter um filho e não vou ter um filho dançando”, entendeu? Então, eu acho que o momento para mim está bom.

CH – Tem algum problema entre ser mãe e ser dançarina?
RP –
 Não tem problema, mas eu danço há 14 anos, gente! Então, eu achei que era uma coisa que já estava bom, que deu o que tinha que dar. Apesar de que os meninos me chamaram para esse projeto das antigas aí e o público também cobrou, mas eu não me imagino mais ter que ficar viajando e dançando.

CH – Você está cansada?
RP – 
Eu não estou cansada. Eu estou bem, graças a Deus.

CH – Mas você, enquanto cantora, você vai ter que viajar...
RP –
 Mas veja bem... Não é a mesma coisa você dançar no palco como dançarina – você já me viu dançando? É muita fechação. Desce, sobe, joga o cabelo – e no palco, para cantar, você dá uma sambadinha e tal, é diferente. Porque eu não dançava para enganar e dar tchau. Eu dançava mesmo, de a pessoa ficar se perguntando como é que eu aguentava dançar tanto, sabe? Em um percurso de seis, sete horas em cima do trio, eu não parava um minuto. Porque tem dançarina que pára, dá um tchau, faz um truque, mas eu não. Porque eu amava dançar. Hoje eu não amo mais, eu gosto.
CH – Você acha que agora engata como cantora?
RP – 
Não penso que eu engato ou não engato. O que deu certo e o que não deu certo. Se apareceu a oportunidade, eu vou. Por que não? Pra mim tudo é lindo, é um desafio e é novo e eu vou. Por que não?

CH – E como está sua agenda de shows?
RP – 
Agora ainda é uma coisa nova. Como eu disse, saí da Gang agora em março, após o carnaval. Então, nós já estávamos com esse projeto, fizemos um CD teste no ano passado, porque Alan, que é meu esposo também, queria ver se eu era afinada e tal. Ele já achava que eu era afinada, os músicos abraçaram, eles disseram “nossa! Ela tem uma voz boa, ela canta bem”. Só que eu não fazia aula de canto há muito tempo...

CH – Você já fez algum show como cantora?
RP –
 Já, na Parada Gay, lá no Campo Grande.

CH – E como foi a recepção do público?
RP –
 Ah, o povo abraçou, minha filha, graças a Deus. No Oba Oba, a tal da Noite da Apertadinha, que é famosa aqui em Salvador e eu fiz também. Mas o grande termômetro foi a parada gay, porque foi o primeiro show em praça pública e nós fomos a primeira banda a tocar e foi meu primeiro show, então, você imagina a tensão. Até por ser uma mulher cantando pagode.
CH – Você acha que tem voz para se lançar como cantora ou está indo mais pelo Oba Oba?
RP – 
Eu acho que eu tenho essa capacidade, sim. Eu acho que minha voz é boa, agora, é claro que, como eu tinha dito para ele, eu não queria montar a banda agora, porque eu queria retomar minha aula de canto e me preparar pra poder não haver críticas, apesar de que, críticas sempre vão existir. Mas Alan me deu uma força, os músicos também e todo mundo disse que eu ia aprendendo conforme eu fosse cantando. Porque tem aquela coisa que o povo fala do ranço do pagode, que é aquela pegada e eu não tinha esse jeito, porque eu sou mais delicada, mais meiga, mais dengosa, tanto que eu pensava, a princípio, que eu podia cantar romântico.

CH – E esse nome da banda, “O Bumm”, tem alguma coisa a ver com seu popozão?
RP –
 É por aí, né?

CH – Você gosta de ser popozuda?
RP – 
Não. Porque, pra quem já nasce com o “popô” grande, o povo fica só falando da poupança da gente. Parece que você não tem rosto, não tem cabelo, não tem braço, não tem pé, não tem nada, só bunda! Então, na primeira oportunidade que eu tive – que Astrid Fontenelle sempre falava no programa dela para eu botar peito, ela dizia “Rosiane, por que você não coloca peito? Uma mulher dessas, com um corpo desses, uma bunda dessas”, ela fez campanha no ar – eu fui e coloquei 300ml de silicone.

CH – Então, de artificial em seu corpo, só o seio, você não mexeu em mais nada?
RP – 
Eu aproveitei e tirei um pouquinho do bumbum. Tirei o culote, porque ele faz o bumbum ficar bem maior. E eu já perdi muitos trabalhos por causa disso.

CH – Você acha que foi seu bumbum o culpado por lhe abrir as portas no meio artístico?
RP –
 Não. A princípio, no concurso da morena do É o Tchan, as pessoas só falavam na morena do macacãozinho amarelo, então, não era aquela morena do bundão. Mas o povo dizia que minha bunda era do tamanho da de Carla Perez, entendeu? Então, o meu bumbum não foi o foco. Agora, quando eu entrei na Gang do Samba, aí sim, o povo só falava do meu popô, que era grandão. E o povo só comparava minha bunda com a de Carla (Perez), porque Carla, na época, era a referência do bumbum. Hoje é a Melancia.
CH – Hoje, você voltaria a posar na Playboy ou qualquer outra revista masculina?
RP –
 Hum... Hoje, não vou dizer que eu descarto, mas eu não penso nisso. Nesse momento eu só penso mesmo na banda. Porque, foi como eu estava falando com Alan: você não vê cantora posando nua. É difícil. Mas dançarina é normal, porque o produto é o corpo. Então, a gente vende o produto. Mas, como cantora, meu produto agora é a voz.

CH – Rosiane, com tantos títulos acumulados (você já foi eleita musa da copa do mundo, rainha das popozudas, já esteve entre as 100 mais sexys do país), por que você acha que não está mais no auge?
RP –
 Porque eu moro em Salvador e, para você se manter na mídia, você tem que se manter no eixo Rio-São Paulo. E eu tive que abdicar disso por conta da Gang do Samba. Então, eu tive que escolher: ou eu ficava com as minhas escolas de samba e já tinha convite para teatro e tudo lá. Se eu quisesse, eu já seria atriz há muitos anos, como a própria Sheila Mello. Eu já podia estar antes dela, porque eu já era atriz antes. Mas eu amava muito a banda. Eu perdi de fazer muita coisa por causa da banda.

CH – Com tantas mulheres-frutas, fica mais difícil ser a gostosona do pedaço?
RP – 
Nunca quis ser a gostosona do pedaço, não. Eu sempre quis dançar. Bem. Pro povo falar mesmo, como falava, que eu fechava. Mas eu nunca tive isso em minha mente.

CH – Você tem perfil de mulher-fruta. Se você fosse entrar nessa onda, que fruta escolheria para representá-la?
RP – 
Ah, eu seria uma salada de frutas inteira, né meu bem? Uma salada de frutas com chantilly bem bonita. E leite condensado também.
CH – Seu ex-namorado, o boxeador Popó, tentou e conseguiu usar a fama para ingressar na carreira política... Você também pensa em usar a sua fama?
RP –
 Bom... Eu me filiei ao PT, porque é um partido que eu confio, acredito nos projetos deles, porque eles visam muito essa questão da igualdade social e, pra mim que vim do gueto, né? Mas eu me filiei, eu ainda não sou candidata, nem pré-candidata, eu vou pensar.

CH – Mas você entende alguma coisa de política?
RP –
 Eu não entendo nada, criatura. Mas não quer dizer que eu não vá – como aconteceu com a música – correr atrás e me esforçar para estudar e aprender. Mas o que é que acontece? As pessoas começaram a me pedir para me candidatar, porque diziam que eu ia poder ajudar mais elas, porque eu conheço a realidade dessas pessoas. A própria Léo Kret quando me encontrou em uma festa falou: “amiga, por que você não se joga na política? A gente é do gueto, mulher. A gente tem que se unir e lutar pelo nosso povo. Vá, que eu te dou a maior força”. A própria Léo Kret me disse: “amiga, eu não sabia nada. Eu to aprendendo agora”. Ela disse que veio começar a aprender depois de um ano. Que a gente aprende atuando, então, se eu for, como ela, eu quero fazer a diferença.

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